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A foto do dia mostra dez penteados fotografados por J. D. Okhai Ojeikere, enfileirados numa parede branca do MAMCO, o Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Genebra, na Suíça. O arquivo do museu fez a imagem durante a exposição Hairstyles 1968-1999 (Penteados 1968-1999), aberta de 21 de fevereiro a 29 de abril de 2001.
As dez molduras brancas estão na mesma altura, com espaço igual entre elas, sobre um piso de concreto. Nove cabeças aparecem de costas ou de lado, pela nuca. Só a sexta, contando da esquerda, mostra uma mulher de perfil, de brinco, e nenhuma olha para a câmera.
Sob as imagens, dentro das molduras, corre uma linha curta de texto. A montagem lembra um mostruário de catálogo: o mesmo enquadramento repetido dez vezes deixa à vista a única variação de uma cabeça para outra, o desenho do cabelo.
O MAMCO liberou a foto em 2018, numa parceria com a Wikimedia da Suíça, a associação que apoia a Wikipédia no país. A imagem ilustra hoje o verbete de Ojeikere nas enciclopédias livres em inglês e em francês.
O homem da Brownie
Ojeikere nasceu em 10 de junho de 1930 em Ovbiomu-Emai, aldeia do atual estado de Edo, no sul da Nigéria. O nome de batismo era Johnson Donatus Aihumekeokhai Ojeikere: o J. D. abrevia os dois primeiros, e Okhai encurta o terceiro.
Em 1950, comprou por duas libras uma Brownie D, câmera simples da Kodak, sem flash, e um amigo ensinou a ele o básico. Em 1951 escreveu ao Ministério da Informação, em Ibadan, pedindo emprego, e mandou a carta de novo a cada 15 dias durante dois anos.
O ministério respondeu nos últimos meses de 1953. Em 1954 ele entrou como assistente de câmara escura, a sala sem luz onde se revelam os filmes.
Em 1961 virou fotógrafo de estúdio da Television House, a emissora de televisão de Ibadan. Em 1963 mudou para Lagos, contratado pela agência West Africa Publicity, e em 1967 recebeu convite para entrar no Conselho de Artes da Nigéria. No ano seguinte começou os penteados.
Por que de costas
A pose tirava a dona do cabelo do centro da foto. Sem rosto, sobrava a construção da cabeça: as divisões do couro cabeludo, as tranças convergindo para um ponto, as hastes enroladas em linha.
O fundo era liso, sem objeto de cena, e a luz caía macia, sem sombra dura no pescoço. Distância e enquadramento se repetiam de uma imagem para a outra, como numa ficha técnica.
O título de cada foto era o penteado retratado. Quando o desenho pedia, Ojeikere fotografava a cabeça pelos dois lados.
O Museu de Arte de Cleveland, nos Estados Unidos, guarda um desses pares, de 1971: um penteado de kiko, o cabelo enrolado em linha, visto pelo perfil esquerdo e pelo direito, sob os números de inventário 2015.17.1 e 2015.17.2.
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Ojeikere fotografava o penteado, e a mulher que o usava ficava de costas para a lente.
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