A resposta de ontem Onde Hippolyte Bayard passou os últimos anos? Em Nemours, às margens do rio Loing, a uns 80 quilômetros ao sul de Paris. Bayard se aposentou do Ministério das Finanças em 1866, mudou-se para lá e viveu na cidade até 14 de maio de 1887, aos 86 anos. O acervo dele seguiu para a Sociedade Francesa de Fotografia, onde está até hoje. |
A foto do topo está em House of Bondage (Casa da Servidão), o livro de Ernest Cole publicado em 1967. Cole a fez do alto, sobre a plataforma da estação de Doornfontein, bairro vizinho ao centro de Joanesburgo, na hora do rush.
Em primeiro plano, quatro homens brancos de terno esperam com folga, um deles com uma pasta na mão. Atrás da cabine de tijolo, a outra ponta da plataforma está tomada de passageiros negros, tão juntos que quase não se vê o chão.
Os vagões separados
A divisão estava na lei. Desde 1953, a Lei de Reserva de Instalações Separadas deixava o governo reservar bancos, banheiros, entradas e vagões para cada raça, sem obrigação de que fossem iguais. Nas estações, brancos e negros esperavam em trechos diferentes da plataforma, diante do vagão de cada um.
Cole fotografou a cena de cima, com a plataforma inteira no quadro. Os fios e os trilhos cortam a imagem em diagonal, e ninguém olha para a câmera.
A câmera escondida
Numa estação, um negro de câmera na mão virava suspeito. Cole trabalhava rápido, com a câmera junto ao peito. Nas ruas, usava o saco de papel; nos trens, segurava o equipamento abaixo da linha dos ombros.
Ele mesmo explicou no livro que o perigo vinha dos dois lados: da polícia, que o prenderia pelo filme, e dos próprios fotografados, que podiam tomá-lo por informante.
O que o livro reuniu
House of Bondage tem mais de 180 fotos, divididas em capítulos sobre as minas, a polícia e o passe, a escola, o trabalho doméstico, a igreja e os bairros negros. O texto acompanha cada capítulo, escrito com o jornalista Thomas Flaherty a partir dos relatos de Cole.
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A foto da plataforma explica o apartheid sem precisar de legenda: o espaço sobra de um lado e falta do outro.
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Cole admirava Henri Cartier-Bresson, que definiu o método numa frase de Images à la sauvette, de 1952:
“Para mim, a fotografia é o reconhecimento simultâneo, numa fração de segundo, do significado de um fato e de uma organização rigorosa das formas.”
Em Doornfontein, a fração de segundo de Cole guardou as duas partes: a geometria dos trilhos e da multidão, e o sentido dela. Na primeira edição, a imagem de uma plataforma dividida abria o livro em página dupla, logo depois da capa.
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