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Erich Salomon nasceu em Berlim, em 28 de abril de 1886, filho de uma família judia de banqueiros. Estudou zoologia e engenharia antes de se formar em direito, e terminou o doutorado jurídico em 1913.
A inflação alemã do começo dos anos 1920 levou o patrimônio da família. Salomon passou por vários empregos até entrar, em 1926, no departamento de publicidade da Ullstein, a maior editora de jornais e revistas de Berlim.
Ali, cercado de fotógrafos e editores, ele percebeu que as revistas ilustradas pagavam por imagens que ninguém conseguia fazer. Uma delas era a do tribunal: o júri, o réu e o juiz durante o julgamento, onde câmera era proibida.
A câmera de Dresden
Em 1924, a fábrica Ernemann, de Dresden, tinha lançado a Ermanox. Era uma câmera compacta para chapas de vidro de 4,5 por 6 centímetros, com uma lente Ernostar de abertura f/2 (a medida de quanto a lente se abre; quanto menor o número, mais luz entra).
As câmeras de imprensa comuns trabalhavam com lentes bem mais escuras. A Ermanox deixava passar luz suficiente para fotografar dentro de uma sala com as lâmpadas acesas, sem magnésio, desde que o fotógrafo segurasse o aparelho firme durante a exposição.
Salomon aprendeu a usá-la sozinho. Em 1928, fotografou escondido o julgamento de um caso criminal em Berlim, com a câmera disfarçada sob o chapéu e um furo para a lente.
A Berliner Illustrirte Zeitung (a revista ilustrada semanal da Ullstein) publicou as imagens. Salomon tinha 42 anos e trocou a publicidade pela reportagem fotográfica.
Os três truques do método
Para entrar onde câmera não entrava, ele combinava três recursos:
1. A roupa: fraque ou smoking, igual ao dos convidados, para ser tomado por um deles.
2. O disfarce do aparelho: a câmera escondida num chapéu, numa pasta ou entre livros, com a lente para fora por um furo.
3. A paciência: esperar sentado, imóvel, até a sala esquecer que ele estava ali, e só então expor a chapa.
O idioma ajudava. Salomon falava francês e inglês com fluência e circulava pelas recepções diplomáticas como mais um assessor.
O que a foto mostra
A imagem no topo, catalogada no Wikimedia Commons como The Hague (Haia), foi feita na segunda Conferência de Haia, em janeiro de 1930, e está em domínio público.
O registro da foto no Wikidata identifica na cena André Tardieu, Julius Curtius e o ministro francês Louis Loucheur. Estão sentados em volta da mesa, sem gravata ajeitada para a câmera e sem expressão preparada.
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Salomon fotografava a reunião enquanto ela acontecia, e a sala inteira entrava no quadro como estava.
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