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Na imagem mais conhecida da série, publicada como prancha no começo do século XX, aparecem dezenas de cristais em quadrados pretos, lado a lado. Cada um tem seis braços, mas nenhum repete o desenho do vizinho.
Há estrelas de pontas largas, placas hexagonais lisas, agulhas e flocos cheios de ramos finos, como samambaias geladas. O fundo preto não é o veludo: Bentley raspava a emulsão em volta do cristal na chapa, para isolar a forma.
O microscópio de presente
Aos 15 anos, ele ganhou da mãe, Fanny Colton Bentley, um microscópio velho que ela usava nas aulas da escola rural. O menino passou a examinar gotas de água, folhas, penas e, no inverno, a neve.
Tentou desenhar os flocos à mão. Fez centenas de esboços, mas os cristais derretiam antes do fim de cada desenho, e o lápis nunca acompanhava o detalhe dos ramos.
O fole e a câmera de chapas
Aos 17 anos, convenceu os pais a gastar cerca de 100 dólares, o preço de uma pequena manada de vacas leiteiras, numa câmera de fole com chapas de vidro. O pai, Alwyn, achava a compra um desperdício.
O plano era acoplar o fole da câmera à ocular do microscópio. Durante dois invernos, as chapas saíram borradas ou escuras. A solução veio com a abertura da lente fechada ao mínimo e exposições longas, com a luz natural da janela.
O ajuste do foco exigia outra adaptação. O tubo do microscópio ficava longe da mão quando o olho estava no visor da câmera, então ele montou um sistema de cordas e roldanas para girar o botão de foco de longe.
A rotina da bandeja
A cada nevada, a sequência se repetia no galpão frio, sempre com o fotógrafo de luvas finas e o rosto virado para longe da lâmina:
1. A bandeja de veludo preto saía para o tempo e aparava os flocos.
2. A lupa escolhia o cristal inteiro, sem braço quebrado.
3. A lasca de madeira levava o floco até a lâmina, e a pena o centralizava.
4. A chapa era exposta antes do primeiro sinal de derretimento.
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Um floco intacto vivia menos de um minuto no vidro, e a câmera tinha de chegar antes do calor.
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Em 1925, numa entrevista a Mary B. Mullett para a revista The American Magazine, ele descreveu o que via pela lente:
“Ao microscópio, descobri que os flocos de neve eram milagres de beleza.”
Na mesma conversa, acrescentou que cada cristal era uma obra-prima de desenho e que nenhum desenho se repetia, frase que acompanha o nome dele até hoje.
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