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Martín Chambi Jiménez nasceu em 5 de novembro de 1891 em Coaza, na província de Carabaya, no departamento de Puno, filho de camponeses quéchuas. O pai trabalhava para a Santo Domingo Mining Company, empresa estrangeira que explorava ouro nos vales da região.
Na mina, o menino conheceu o fotógrafo contratado pela companhia para registrar as obras e os operários. Chambi ajudava a carregar o equipamento, olhava a revelação das chapas e, pelos relatos da família, decidiu ali o ofício que ia seguir.
Os anos de Arequipa
Por volta de 1908, ainda adolescente, ele foi para Arequipa, a maior cidade do sul do Peru, e entrou como aprendiz no estúdio de Max T. Vargas, o retratista mais procurado da região. Ficou cerca de nove anos ali, aprendendo a iluminar rostos, retocar negativos e tratar o cliente.
Vargas fazia retrato de elite, com cenário pintado e pose estudada. Chambi aprendeu essa gramática do estúdio e depois a levou para fora dele, para a rua, a montanha e a aldeia.
Em 1917, ele se mudou para Sicuani, cidade de feira no caminho entre Puno e Cusco, e abriu o primeiro estúdio próprio. Lá começou a vender cartões-postais com paisagens e ruínas andinas, impressos a partir dos negativos dele.
O estúdio de 1920
Em 1920, Chambi se instalou em Cusco. O estúdio virou ponto de encontro de intelectuais do indigenismo (movimento de escritores e artistas peruanos que defendia o valor das culturas indígenas), gente que via nas fotos dele um Peru andino retratado de dentro, e não pelo olhar do viajante europeu.
A clientela pagante era a de qualquer estúdio de cidade: famílias ricas, noivos, crianças de primeira comunhão, autoridades. Esse trabalho bancava as viagens. Com o lucro, Chambi subia a Machu Picchu, então pouco visitada, e fotografava as pedras, os terraços e as montanhas ao redor.
Ele também fotografava gente que nunca entraria num estúdio de elite: carregadores, músicos, camponeses na feira, mulheres de saia rodada. Com o mesmo cuidado de luz que dava ao retrato do juiz, registrou o povo de onde ele próprio tinha saído.
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Chambi usou o dinheiro do retrato de elite para pagar o registro de quem nunca tinha sido fotografado.
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Em 1925, quando a cidade precisou de alguém para guardar a imagem do velório de Velasco Astete, o nome óbvio em Cusco era o dele. Cinco anos de estúdio tinham bastado para isso.
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