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Em 10 de julho de 1936, o governo da Tasmânia pôs o tigre-da-tasmânia sob proteção legal, depois de 35 anos de pressão de conservacionistas. O exemplar de Beaumaris viveu mais 59 dias.
Na noite de 7 de setembro de 1936, o último tigre do zoológico morreu. Robert Paddle, no livro The Last Tasmanian Tiger (O último tigre-da-tasmânia), de 2000, atribuiu a perda a descuido: o bicho teria ficado trancado do lado de fora do abrigo, exposto ao calor do dia e ao frio da noite.
Visitantes de 1936 e as duas últimas fotos dele mostram um animal velho, com sarna e mancando, e outros pesquisadores atribuem a perda à idade.
Qual tigre era
A identidade do animal também está em disputa. Para os pesquisadores Gareth Linnard e Stephen Sleightholme, era um macho preso num laço ainda filhote, em 1930, perto do monte Bischoff, no noroeste, e exibido por uma família local antes da venda ao zoológico. A cicatriz do laço na perna, segundo eles, aparece nas fotos e filmes do tigre de Beaumaris dos anos 1930.
Robert Paddle e a pesquisadora Kathryn Medlock contam outra história. O macho de 1930 teria vivido em Beaumaris só de 1930 a maio de 1936, e o último seria uma fêmea velha, capturada com laço pelo caçador Elias Churchill e vendida ao zoológico no mesmo mês, sem anúncio.
Em 2022, os dois apresentaram um registro de taxidermista (o profissional que empalha animais), de 1936 ou 1937, que cita o animal. Pela versão deles, os restos foram para o Tasmanian Museum and Art Gallery, o museu estadual de Hobart, sem catálogo.
Linnard e Sleightholme respondem que esconder a venda não fazia sentido em maio de 1936, quando o tigre ainda não tinha proteção legal. Ninguém resolve a disputa porque não sobrou registro de tigre vivo manuseado depois de 1931. Se a fêmea existiu, o tigre da foto do dia foi o penúltimo da espécie em cativeiro.
Benjamin, apelido de 1968
Em maio de 1968, Frank Darby, que se dizia tratador do zoológico, contou ao naturalista Graham Pizzey que o tigre se chamava Benjamin, e a história se espalhou pelos jornais de Melbourne. Darby nunca trabalhou em Beaumaris, e nenhum documento da época registra apelido para o bicho.
As regras internacionais da época só permitiam declarar uma espécie extinta depois de 50 anos sem registro confirmado. A União Internacional para a Conservação da Natureza, a UICN, fez a declaração em 1982, e o governo da Tasmânia, em 1986.
Desde 1996, a Austrália marca o 7 de setembro como Dia Nacional das Espécies Ameaçadas. Em 2021, para a data, o National Film and Sound Archive, o arquivo nacional de filmes e som do país, divulgou o filme de Fleay colorido em computador.
Em 2020, pesquisadores identificaram as imagens mais tardias da espécie: um trecho de 1935, filmado por Sidney Cook para o filme turístico Tasmania the Wonderland (Tasmânia, a terra das maravilhas). Fleay morreu em 7 de agosto de 1993, aos 86 anos.
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Sem papel de compra depois de 1931, ninguém prova qual tigre foi o último.
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A 42 graus e 52 minutos sul, a pedreira do Queen's Domain serviu de depósito de combustível à Marinha australiana de 1943 a 1991 e depois de depósito à prefeitura. Restos das jaulas de Beaumaris continuam lá, atrás de um portão instalado em 2000 para contar a história do zoológico a quem passa. Do terreno onde o tigre bocejou duas vezes para Fleay, ainda se vê o estuário do Derwent.
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