A resposta de ontem Quem doou a Lacock Abbey ao National Trust em 1944? Foi Matilda Talbot, neta de William Henry Fox Talbot. Em 1944 ela doou a abadia e quase toda a vila de Lacock ao National Trust. Em 1975 o celeiro medieval da entrada virou o Fox Talbot Museum, e a porta da foto de 1844 segue no pátio, aberta à visita. |
A foto se chama Pain and despair (Dor e desespero) e foi feita entre 1854 e 1856 pelo neurologista francês Guillaume-Benjamin-Amand Duchenne, conhecido como Duchenne de Boulogne, com o fotógrafo Adrien Tournachon, irmão mais novo de Nadar, o retratista mais famoso de Paris.
Duchenne nasceu em Boulogne-sur-Mer, no litoral norte da França, em 1806, estudou medicina em Paris e voltou à cidade natal como clínico. Mudou-se de vez para Paris em 1842 e passou a atender nas enfermarias como médico sem vínculo, levando a própria máquina de choque.
O que a foto mostra
A cópia catalogada no Wikimedia Commons pertence à National Gallery of Art, de Washington, com o número de acervo 169284, e está registrada no Wikidata como obra de Duchenne e Tournachon. Está em domínio público.
O velho aparece de frente, cabelo ralo, olhos abertos. Os cantos da boca descem, o queixo se enruga e o meio das sobrancelhas sobe, riscando rugas oblíquas na testa. O resto do rosto fica quase parado, como se a dor tivesse sido pintada só em dois pontos.
Esses dois pontos eram os eletrodos. Duchenne estimulava o triangular dos lábios (o músculo que puxa o canto da boca para baixo) e o superciliar (o músculo que franze e ergue a ponta interna da sobrancelha). A expressão inteira nascia de duas correntes.
O modelo sem dor
Duchenne descreveu o paciente no livro como um velho sapateiro, desdentado, de rosto magro, com a pele da face quase insensível. Não registrou o nome dele. Nenhuma fonte conhecida conta quem era o homem nem como terminou a vida: o que se sabe dele está nas pranchas e nas poucas linhas do médico.
A insensibilidade facilitava o trabalho. Em outra pessoa, a corrente provocaria careta de dor e misturaria músculos. No velho, cada choque movia só o músculo tocado, e a câmera registrava o efeito limpo.
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Duchenne não fotografou emoções: fotografou músculos ligados um por um.
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O teste mais citado veio com o riso. Duchenne comparou o sorriso produzido pela corrente no zigomático maior (o músculo que puxa o canto da boca para cima e para fora) com o sorriso do velho ao ouvir uma piada. No primeiro, os olhos ficavam frios. No segundo, contraía-se também o orbicular dos olhos (o músculo em anel em volta de cada olho), que enruga a pálpebra de baixo.
“O primeiro obedece à vontade; o segundo só é posto em jogo pelas doces emoções da alma.” Guillaume Duchenne, Mécanisme de la physionomie humaine, 1862
Com essa observação, o sorriso de cortesia e o sorriso de alegria ficaram separados no papel, e o de alegria ganhou músculo próprio.
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