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Em 1912, no meio da Revolução, Agustín Víctor Casasola abriu uma agência de fotografia de imprensa na Cidade do México. A ideia era vender imagens a vários jornais ao mesmo tempo, em vez de trabalhar para um diário só.
O modelo pedia gente. O irmão, Miguel Casasola, também fotografava e cobria eventos que Agustín não alcançava. Os filhos cresceram dentro do laboratório: Gustavo, Ismael, Agustín filho, Mario e a filha Dolores trabalharam na casa em funções diferentes.
Havia ainda os empregados e os colaboradores de fora. Fotógrafos contratados por evento entregavam as chapas à agência, que copiava, legendava e vendia com o próprio carimbo.
Como o carimbo engolia o autor
A cópia ia para a redação com a marca da agência no verso. O jornal publicava com crédito de casa ou sem crédito nenhum, como era costume na época.
Com os anos, a família comprou também acervos de outros fotógrafos e de estúdios que fechavam. Esses negativos entraram nas mesmas caixas e ganharam o mesmo carimbo.
O resultado foi um arquivo que crescia como um rio recebe afluentes, sem registro de onde vinha cada água.
Para a agência, o modelo fazia sentido comercial. Um cliente que comprava uma foto Casasola sabia o que levava, e o jornal não precisava negociar com cada fotógrafo avulso.
O caso mais famoso
A foto de uma mulher pendurada na porta de um vagão de trem, conhecida como a Adelita da estação de Buenavista, passou décadas creditada a Agustín Víctor Casasola. O historiador Miguel Ángel Berumen, no livro México: fotografía y revolución, de 2009, atribuiu a chapa ao fotógrafo Jerónimo Hernández.
A atribuição saiu do cruzamento entre o negativo, as publicações da época e outras fotos de Hernández feitas no mesmo lugar.
Como se devolve a autoria a uma chapa
O caminho de quem pesquisa a autoria no acervo segue três passos.
1. Ler tudo o que acompanha o negativo: envelope, número de inventário, anotação a lápis e carimbo no verso das cópias.
2. Procurar a mesma imagem na imprensa da época, onde às vezes ela saiu com o crédito do fotógrafo antes de entrar no arquivo da agência.
3. Comparar o suporte, o formato da chapa e o ponto de vista com outras séries de autoria conhecida, para achar a câmera e o estilo de quem fotografou.
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