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A foto mudou a pergunta. Antes de 1898, a discussão sobre o Sudário era de fé e de documento antigo. Depois do negativo, cientistas passaram a perguntar como uma imagem com os tons invertidos foi parar num tecido.
Em 1902, o zoólogo francês Yves Delage, professor da Sorbonne, apresentou à Academia de Ciências de Paris uma análise feita sobre as fotos de Pia. Ele defendeu que a anatomia do corpo era precisa demais para a mão de um pintor medieval.
O documento de 1389
Os historiadores tinham outro papel na mão. Em 1389, o bispo Pierre d'Arcis, de Troyes, escreveu a Clemente VII, papa de Avinhão, que o pano exposto na igreja de Lirey, no norte da França, era obra de um pintor.
Segundo o bispo, o artista tinha confessado a autoria a um antecessor dele. A primeira notícia segura do pano é justamente de Lirey, nos anos 1350, nas mãos da família do cavaleiro Geoffroi de Charny.
Como se data um linho
O teste decisivo esperou o método do carbono 14 (forma radioativa do carbono que se desfaz num ritmo conhecido). Uma planta, como o linho, para de absorver carbono quando é colhida, e o relógio começa a correr. O exame de 1988 seguiu estes passos:
1. Em 21 de abril de 1988, uma tira de cerca de 7 centímetros foi cortada de um canto do pano, na catedral de Turim.
2. A tira foi dividida entre três laboratórios: a Universidade do Arizona, a Universidade de Oxford e o instituto ETH de Zurique.
3. Cada laboratório recebeu também amostras de tecidos com idade conhecida, sem saber qual delas vinha do Sudário.
4. Os três mediram, em separado, quanto carbono 14 restava nas fibras.
5. Em 13 de outubro de 1988, o cardeal Anastasio Ballestrero, arcebispo de Turim, anunciou o resultado: o linho foi feito entre 1260 e 1390.
Os números saíram na revista Nature em 16 de fevereiro de 1989, no artigo Radiocarbon dating of the Shroud of Turin, assinado por Paul Damon e pelas equipes dos três laboratórios:
“Esses resultados fornecem, portanto, evidência conclusiva de que o linho do Sudário de Turim é medieval.”
A data bate com o documento de Lirey. O intervalo de 1260 a 1390 cobre os anos 1350, quando o pano aparece pela primeira vez na história escrita.
O que segue em aberto
A datação tem críticos. Em 2019, o pesquisador Tristan Casabianca e colegas publicaram na revista Archaeometry uma reanálise dos dados brutos, apontando diferenças entre as amostras. A Igreja não autorizou nova datação por carbono 14 desde 1988.
Como a imagem se formou também não tem resposta aceita. Em outubro de 1978, o grupo americano STURP (Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim) examinou o pano por cinco dias e concluiu que a cor fica só na superfície das fibras, sem tinta visível. O microscopista Walter McCrone, que analisou fitas colhidas pela equipe, discordou e disse ter achado pigmento de óxido de ferro. A discussão segue sem acordo até hoje.
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