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Em 1991, o Center for African Art, em Nova York, abriu a exposição Africa Explores: 20th Century African Art (A África Explora: Arte Africana do Século XX), com curadoria da historiadora Susan Vogel.
Entre as peças havia retratos de Bamako, com clientes de terno, rádio e lambreta. A etiqueta atribuía as imagens a um fotógrafo desconhecido.
As cópias tinham chegado aos Estados Unidos por colecionadores que as compraram sem registro de origem. Ninguém na cadeia tinha anotado quem as fez.
O curador que foi a Bamako
André Magnin, curador francês da coleção de arte africana contemporânea do empresário Jean Pigozzi, viu as fotos e quis saber de onde vinham. Em 1992, viajou a Bamako com reproduções na bagagem.
Na cidade, mostrou as imagens a fotógrafos e moradores até chegar a Seydou Keïta, aposentado havia 15 anos. O fotógrafo reconheceu os próprios clientes e abriu as caixas de negativos.
Pela contagem que Magnin publicou no livro Seydou Keïta, de 1997, o acervo reunia cerca de 10 mil negativos do período do estúdio.
Magnin passou a organizar o acervo e a mandar fazer ampliações grandes a partir dos negativos de 13 por 18 centímetros, em tamanho que o estúdio nunca tinha usado.
O que mudou com a autoria
Em 1994, a Fondation Cartier, em Paris, fez a primeira exposição individual de Keïta. Os retratos passaram a entrar em coleções de museu na Europa e nos Estados Unidos.
As grandes ampliações viraram o formato conhecido da obra. A cópia por contato, pequena e feita para a parede da sala, ficou com as famílias de Bamako.
Keïta morreu em Paris, em 2001. Em 2016, o Grand Palais, em Paris, montou uma retrospectiva da obra dele.
A autoria das imagens se resolveu em 1992. A identidade da maioria dos retratados segue em aberto: as exposições os apresentam sem nome, e não há registro público que diga quem eram.
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A etiqueta de Nova York trocou de linha: o fotógrafo ganhou nome, e os clientes ficaram anônimos no lugar dele.
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O relógio que passava de pulso em pulso no quintal de Bamako-Coura, atrás da prisão central, hoje aparece em paredes de museu, ampliado muitas vezes acima da chapa original, numa foto cuja etiqueta diz: Seydou Keïta, Bamako, entre 1948 e 1962.
“Se um fotógrafo emprestasse um objeto para o seu retrato, qual você escolheria?”
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