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Os EMI Studios mudaram de nome por causa da foto. Em 1970, a empresa passou a chamar o prédio do número 3 de Abbey Road Studios, o nome que os fãs já usavam e que o disco tinha espalhado pelo mundo.
A faixa de pedestres também mudou de função. Turistas começaram a chegar de ônibus para refazer a travessia em fila, parando carros e motoristas de táxi a qualquer hora do dia.
Os moradores da rua passaram a conviver com o movimento. A placa com o nome Abbey Road, presa no muro da esquina, foi arrancada tantas vezes que acabou fixada no alto da parede, e o muro diante do estúdio vive coberto de assinaturas de visitantes, pintado de branco de tempos em tempos para receber as próximas.
O boato de Paul morto
Em outubro de 1969, um boato que circulava em rádios universitárias dos Estados Unidos ganhou força com a capa. Dizia que Paul McCartney tinha morrido em 1966 e sido trocado por um sósia. Os fãs leram a foto como um cortejo fúnebre, em quatro pistas:
1. John Lennon, de branco, seria o pregador.
2. Ringo Starr, de preto, seria o agente funerário.
3. George Harrison, de jeans, seria o coveiro.
4. Paul McCartney, descalço, seria o corpo, porque na Inglaterra se enterravam mortos sem sapatos.
A placa do Fusca entrou na lista. Os fãs liam 28IF como “28 if” (28 se, em inglês): Paul teria 28 anos se estivesse vivo. Ele tinha 27 na data da foto, e o boato perdeu força depois que a revista Life publicou uma entrevista com ele, em novembro de 1969.
A paródia do próprio Paul
Paul McCartney respondeu ao boato com humor 24 anos depois. A capa do disco ao vivo Paul Is Live (Paul está vivo), de 1993, refaz a foto na mesma faixa: ele atravessa sozinho, de sapatos, puxando um cachorro pela coleira, com um carro ao fundo de placa 51 IS, a idade que tinha naquele ano.
Outros artistas seguiram o exemplo. A capa virou uma das imagens mais copiadas da música pop, refeita por bandas, personagens de desenho animado e campanhas publicitárias, quase sempre com quatro figuras em fila sobre listras brancas.
Patrimônio tombado
Em dezembro de 2010, o governo britânico tombou a faixa de pedestres como Grade II (segunda categoria da lista de bens protegidos da Inglaterra), por recomendação da agência English Heritage. Foi a primeira faixa de pedestres protegida no país, e o motivo registrado foi o valor cultural ligado à capa.
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Uma escada no meio da rua deu nome a um estúdio e transformou uma faixa em patrimônio.
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O prédio do estúdio já tinha recebido a mesma proteção meses antes, em fevereiro de 2010, quando surgiu o risco de venda do imóvel pela EMI.
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