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Carl Sagan fez o pedido pela primeira vez em 1981, numa reunião da equipe de imagens da Voyager no Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena. Ele não propôs um experimento, propôs uma fotografia.
A ideia cabia numa frase. Quando a sonda estivesse longe o suficiente do Sol, girar a plataforma das câmeras para trás e fotografar os planetas de onde ela tinha saído, a família inteira num retrato só.
A resposta técnica foi não, e por um motivo concreto. Apontar a câmera de ângulo estreito para perto do Sol podia queimar de vez os tubos vidicon, e aqueles tubos ainda tinham encontros planetários agendados pela frente.
Havia também o argumento do valor. A distância era tão grande que os planetas sairiam como pontos sem detalhe, sem superfície, sem atmosfera, sem nada que um cientista planetário pudesse medir ou publicar.
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Nove anos separaram o pedido do clique, e a foto aprovada não trouxe uma única linha de dado científico novo.
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O que destravou a sequência
A equipe de operações era pequena e o tempo das antenas da Deep Space Network vivia disputado. Cada sequência de comandos precisava ser escrita, testada em simulador e encaixada numa fila que sempre tinha coisa mais urgente.
O bloqueio caiu quando a última prioridade científica do programa terminou. Em agosto de 1989 a Voyager 2 passou por Netuno, o encontro planetário final das duas sondas, e a partir dali as câmeras viraram equipamento sem tarefa marcada.
Sagan tinha insistido por um argumento que não era científico e ele nunca fingiu que fosse. A foto serviria para mostrar a escala real do lugar em que vivemos, e escala é o tipo de coisa que ninguém entende por explicação.
Com o apoio do administrador da NASA, Richard Truly, a sequência entrou na fila. As cientistas Candy Hansen e Carolyn Porco desenharam o mosaico quadro a quadro, calculando ângulos da plataforma, filtros e tempos de exposição para cada alvo.
Em 14 de fevereiro de 1990 a sonda executou a manobra. Foram 60 quadros, cobrindo o Sol, o campo de fundo e seis planetas, com a Terra registrada através de filtros azul, verde e violeta em exposições diferentes.
Dois planetas ficaram de fora. Mercúrio estava próximo demais do Sol para ser separado do brilho, e Marte apareceu perdido na luz espalhada dentro da própria câmera. Plutão, ainda classificado como planeta na época, era fraco demais.
A ordem saiu de Pasadena viajando na velocidade da luz e levou cerca de cinco horas e meia para alcançar a sonda. A confirmação de que a manobra tinha acontecido levou o mesmo tempo no caminho de volta.
Ninguém, em nenhum momento, viu aquilo acontecer em tempo real. A equipe mandou a instrução, esperou meio expediente e recebeu a notícia de um gesto que já tinha terminado havia horas do outro lado do sistema solar.
Encerrada a sequência, as câmeras da Voyager 1 foram desligadas para valer. Não havia mais nada para fotografar adiante, e a energia e a memória de bordo passaram a valer mais para os instrumentos que continuavam medindo partículas e campos.
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