A resposta de ontem O que passaram nos cabos para as pontas sumirem? Tinta refletora ou papel de alumínio. Nos testes descritos por John Malik, de Los Alamos, o cabo pintado de preto absorvia o calor e deixava a ponta maior; o cabo coberto de alumínio refletia o primeiro clarão, não vaporizava, e a base da bola de fogo saía lisa na foto. |
Na foto que o Wikimedia Commons atribui a Louis Boutan, datada de 1898, um mergulhador de escafandro está de pé no fundo da baía de Banyuls-sur-Mer. O capacete redondo reflete a pouca luz, a roupa escura se mistura às pedras e as duas mãos seguram uma placa clara.
O mergulhador é o mecânico David, o mesmo que construía as caixas de cobre do laboratório. A descrição do arquivo no Commons o identifica só pelo sobrenome, e o primeiro nome dele não aparece ali.
O escafandro de David é do mesmo tipo usado por Boutan: capacete de cobre parafusado à gola, botas com sola de chumbo e a mangueira de ar subindo até a bomba manual operada no barco.
As letras invertidas
Na placa estão pintadas duas palavras em francês, e elas aparecem de cabeça para baixo na imagem:
“Photographie sous-marine”
A tradução é fotografia submarina. O mergulhador anuncia, dentro da própria foto, o que a foto é. Por que a placa ficou invertida, a descrição do Commons não diz, e o texto desta edição não encontrou explicação registrada.
A câmera nova
A chapa de 1898 já não saiu da caixa pequena de 1893. Para a segunda fase, Boutan e David montaram uma câmera bem maior, para chapas de vidro de 18 por 24 centímetros, presa a uma armação de ferro que mantinha o conjunto firme no fundo.
Uma câmera desse tamanho pedia uma caixa estanque pesada, e cada descida virava uma operação de barco: a equipe baixava o equipamento por cabo, o mergulhador o posicionava e só então a exposição começava.
Mesmo com a câmera maior, a chapa de 1898 mostra os limites da época: as bordas escurecem, o fundo some numa névoa cinza a poucos metros do mergulhador e só o primeiro plano tem contorno firme.
Para encurtar a espera, Boutan trocou o magnésio por eletricidade. Em 1899, com o engenheiro Chaffour, levou ao fundo lâmpadas de arco elétrico (luz gerada por uma faísca contínua entre dois bastões de carvão), ligadas por fio a baterias no barco.
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Sem luz, o fundo do mar não cabia numa chapa; Boutan levou a luz junto.
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O livro de 1900
Boutan descreveu as câmeras, os clarões e as falhas no livro La photographie sous-marine et les progrès de la photographie (A fotografia submarina e os progressos da fotografia), publicado em Paris pela editora Schleicher Frères em 1900.
A cena de David com a placa aparece no capítulo IX, nas páginas 204 a 206, segundo a ficha do arquivo no Commons. O livro, hoje em domínio público, também está digitalizado no próprio Commons, em PDF.
O volume reúne ainda capítulos sobre o avanço das chapas e das lentes fora d'água, como o título promete, e trata a fotografia submarina como um ramo novo da técnica.
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