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Em março de 1851, o escultor Frederick Scott Archer publicou na revista The Chemist um método novo: espalhar colódio (algodão-pólvora dissolvido em éter e álcool, uma calda que seca como película) numa placa de vidro, sensibilizar com prata e fotografar com a placa ainda molhada.
O resultado juntava o melhor dos dois mundos: a nitidez do daguerreótipo e o negativo copiável do calótipo, com exposição de poucos segundos. Archer não patenteou nada e deixou o método aberto.
Talbot entendeu de outro modo. Para ele, o colódio úmido também revelava uma imagem latente com um ácido, então estava dentro da patente de 1841. Passou a exigir licença dos retratistas que trabalhavam com vidro.
A primeira trégua
Em 1852, os presidentes da Royal Society e da Royal Academy, Lord Rosse e Charles Eastlake, pediram a Talbot que soltasse a fotografia. Em carta publicada no The Times em agosto daquele ano, ele liberou o uso para amadores e cientistas, mas manteve o retrato vendido sob licença.
Martin Laroche, retratista de Oxford Street nascido William Henry Silvester, seguiu trabalhando com colódio sem pagar. Em 1854, Talbot o processou por violação de patente no Tribunal de Causas Comuns (Court of Common Pleas), presidido pelo juiz Sir John Jervis.
O que o júri respondeu
O julgamento correu no Guildhall entre os dias 18 e 20 daquele dezembro. A defesa atacou a patente e sustentou que o processo de Laroche era outro: revelava com ácido pirogálico, não gálico, e usava vidro, não papel. O júri respondeu a duas perguntas:
1. Talbot era o verdadeiro inventor do calótipo, e a patente seguia válida.
2. Laroche, com o colódio úmido, não tinha violado essa patente.
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Talbot ganhou a autoria e perdeu o mercado no mesmo papel.
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Para os estúdios, a segunda resposta bastava. O colódio era o processo que todos usavam, e agora ninguém devia licença por ele. A patente do calótipo continuava de pé, mas protegia um método que os retratistas já tinham abandonado.
Talbot saiu pagando os próprios advogados. Laroche contou com uma coleta de colegas para pagar a defesa, porque o caso dele era o caso de toda a classe, e os jornais de fotografia publicaram a decisão como vitória do ofício.
O efeito foi imediato no comércio. Retratistas que trabalhavam de porta fechada passaram a anunciar o colódio na vitrine, e fotógrafos amadores deixaram de temer carta de advogado. O colódio, que até então se usava com medo de processo, virou o padrão britânico de estúdio, de vista urbana e de fotografia de guerra.
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