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Em 1887, Militão tinha 50 anos e duas décadas de retratos feitos no estúdio, a Photographia Americana. Nesse ano voltou à rua com a câmera e uma lista de lugares: os mesmos que tinha fotografado no começo da carreira.
O resultado foi o Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1862 a 1887. O acervo do Museu Paulista numera 60 pranchas, entre vistas de ruas, largos, igrejas, chácaras e panoramas tirados do alto de torres.
Em vários pontos, a dupla é exata: a Rua da Quitanda, a Rua do Commercio, a Rua da Gloria, a Rua Alegre e o Largo do Braz aparecem em 1862 e outra vez em 1887, quase do mesmo lugar.
O que mudou entre uma chapa e outra
A São Paulo de 1887 tinha ferrovia. A São Paulo Railway ligava Santos a Jundiaí desde 1867 e trazia café, imigrante e tijolo para a capital.
O café pagava a conta. Os fazendeiros do interior passaram a manter casa na capital, e a cidade ganhou bancos, hotéis, lojas de importados e escritórios de comissários (os intermediários que vendiam a safra no porto de Santos).
Tinha também bonde de tração animal, iluminação a gás e um jardim público reformado na Luz. Nas pranchas de 1887 aparecem trilhos no chão, postes nas esquinas e fachadas novas encaixadas entre as velhas.
O crescimento tem número oficial. O Recenseamento Geral do Império, de 1872, contou cerca de 31 mil moradores no município; o censo federal de 1890 contou perto de 65 mil.
O que nunca se soube
A tiragem do álbum não ficou registrada em nenhum documento conhecido. Sabe-se que as cópias eram feitas à mão, prancha por prancha, a partir dos negativos de vidro, e que poucos exemplares completos sobreviveram até hoje.
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Militão fotografou a mesma esquina duas vezes, com 25 anos de intervalo, e transformou a diferença entre as duas chapas em documento.
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Como os pares servem para datar uma rua
O método que pesquisadores aplicam ao álbum segue três passos.
1. Localizar a esquina da foto de 1862 por um elemento fixo, como a torre de uma igreja ou o recorte do morro ao fundo.
2. Comparar a mesma esquina na prancha de 1887 e marcar cada fachada, poste ou trilho que surgiu no intervalo.
3. Cruzar o que surgiu com a data de obra registrada nos documentos da Câmara Municipal, para estreitar a janela em que cada mudança aconteceu.
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