In partnership with

Foto Histórica   Foto Histórica
ED 054
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O Faraó com Contrato de Imprensa

Em 1923, Lord Carnarvon vendeu ao The Times a exclusividade de Tutancâmon, e as chapas de Harry Burton rodaram o mundo pelo jornal

Howard Carter e Arthur Callender diante das portas abertas dos santuários dourados de Tutancâmon, em janeiro de 1924.

Os santuários de Tutancâmon, Harry Burton, 1924

▼
 

Na margem oeste do Nilo, a cerca de 500 quilômetros ao sul do Cairo em linha reta, o Vale dos Reis é uma fenda de calcário sem árvore e sem sombra. No chão do vale, 16 degraus cavados na rocha descem até uma porta selada com gesso. Lá de baixo se vê só o paredão amarelo e uma tira de céu.

Em 4 de novembro de 1922, a turma de trabalhadores egípcios do arqueólogo inglês Howard Carter achou o primeiro desses degraus, sob as cabanas de pedra dos operários que tinham trabalhado na tumba de Ramsés VI. Em 26 de novembro, Carter abriu um furo na segunda porta, aproximou uma vela e viu ouro espalhado pela primeira câmara.

Quem pagava a escavação era George Herbert, o quinto conde de Carnarvon, aristocrata inglês que financiava as buscas de Carter no vale desde 1917. A notícia chegou a Londres em poucos dias, e jornais do mundo inteiro mandaram repórteres para Luxor, a cidade da margem leste, do outro lado do rio.

Os repórteres lotavam o Winter Palace, o hotel dos turistas ricos, e atravessavam o Nilo de barco e de burro para ficar na mureta que cercava a entrada. Cada caixa que subia os degraus virava telegrama. Carter reclamava que não conseguia trabalhar com a multidão debruçada sobre a escada.

Dentro da câmara, quem registrava cada objeto antes de alguém tocar nele era um fotógrafo inglês emprestado pelo Museu Metropolitano de Arte de Nova York. Ele montou o laboratório numa tumba vazia a poucos metros dali, catalogada como KV55 (sigla em inglês para Vale dos Reis, seguida do número da tumba), e revelava as chapas de vidro no calor do vale.

Em janeiro de 1923, Carnarvon assinou um papel em Londres que decidiu por qual porta o mundo veria aquelas chapas nos anos seguintes, e os jornalistas da mureta ficaram sabendo pelos concorrentes.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Foto Histórica do Dia

I, Três homens diante das portas douradas

Harry Burton, fotógrafo nascido em 1879 em Stamford, no condado inglês de Lincolnshire, é o autor da imagem. Ele trabalhava no Egito desde a década de 1910 e, a partir de 1914, fotografava para a expedição egípcia do Museu Metropolitano. Em dezembro de 1922, o museu o cedeu a Carter, com outros especialistas da equipe.

A chapa é de 3 ou 4 de janeiro de 1924, segunda temporada de trabalho no túmulo. A cena está na câmara funerária, a sala onde ficava o sarcófago, uma caixa de pedra que guardava os caixões do rei. Em volta dele havia quatro santuários de madeira dourada, encaixados um dentro do outro como caixas de presente.

O que o enquadramento mostra

As portas duplas dos santuários estão abertas em sequência, uma atrás da outra, e cada folha traz hieróglifos e figuras aladas entalhadas no ouro. A legenda do arquivo identifica Howard Carter ajoelhado junto às portas, Arthur Callender, engenheiro inglês que ajudava na escavação, e um trabalhador egípcio.

Carter estende o braço para dentro do santuário mais interno. Quando Burton abriu o obturador, ninguém na sala tinha visto ainda o que o último santuário guardava. O sarcófago de quartzito só teve a tampa erguida em 12 de fevereiro de 1924, pouco mais de um mês depois.

Como a chapa foi feita

Burton trabalhava com lâmpadas elétricas puxadas por cabo até a câmara e com chapas de vidro de formato grande, que pediam exposição longa. Daí quem está no quadro aparecer imóvel, como numa pose de estúdio. Ele registrava cada objeto no lugar exato onde estava, antes da remoção, e cada chapa ganhava um número que ligava a imagem ao fichário de Carter.

O arqueólogo contou a primeira olhada na tumba, em novembro de 1922, no livro que publicou no ano seguinte. Lord Carnarvon perguntou se ele via alguma peça pela fresta, e a resposta entrou na história:

Sim, maravilhas.

Howard Carter, The Tomb of Tut.ankh.Amen, volume 1, 1923

A chapa de Burton guarda o gesto de abrir antes que alguém soubesse o que havia no fim da fila de portas.

O terceiro homem da cena ficou sem nome. As legendas da época citam os ingleses e resumem o egípcio à função. Centenas de operários egípcios trabalharam no túmulo durante uma década, e quase nenhum aparece identificado nas fichas das fotos.

 
 

II  O Que Ela Mudou de Verdade

II, O furo que tinha dono

Em 9 de janeiro de 1923, Lord Carnarvon assinou com o The Times, de Londres, um contrato de exclusividade sobre a escavação. O jornal passou a ter o direito de publicar primeiro as notícias e as fotografias do túmulo, e de revendê-las ao resto da imprensa mundial.

O motivo era dinheiro e sossego. Carnarvon tinha gasto anos de fortuna pessoal em buscas que não davam em nada, e o contrato cobria parte da conta. Segundo o ex-diretor do Museu Metropolitano Thomas Hoving, no livro Tutankhamun: The Untold Story, de 1978, o jornal pagou 5.000 libras adiantadas e 75% do lucro das revendas.

Os concorrentes na fila do Times

Para os outros jornais, a conta ficou amarga. O Daily Mail, o Daily Express e as agências americanas tinham repórteres em Luxor, mas as fotos de Burton e os boletins oficiais saíam primeiro no Times. Quem quisesse publicar tinha de comprar do concorrente, e costumava imprimir um dia depois.

O Daily Mail mandou ao vale Arthur Weigall, ex-inspetor de antiguidades do governo egípcio, que passou a criticar o acordo por escrito. Arthur Merton, o correspondente do Times, virou membro da equipe de Carter, e assim entrava na tumba enquanto os rivais esperavam do lado de fora da mureta.

A reação no Cairo

No Egito, a raiva era de outro tipo. O país tinha recebido uma independência parcial da Inglaterra em fevereiro de 1922, e os jornais do Cairo leram o contrato como afronta: a notícia de um rei egípcio chegava aos egípcios filtrada por um jornal de Londres.

A exclusividade transformou a descoberta mais fotografada do século numa mercadoria com dono, e cada chapa de Burton passou a ter preço de revenda.

O efeito se viu nas bancas. As imagens do Times, repetidas por jornais e revistas de vários países, fixaram o repertório visual de Tutancâmon: os santuários dourados, a máscara, os caixões. Quem via uma foto do túmulo nos anos 1920 via, quase sempre, uma chapa de Burton com o crédito do jornal.

O contrato também alimentou a tensão entre Carter e o Serviço de Antiguidades do Egito, o órgão do governo que dava a licença para escavar. Cada visita negada a um jornalista egípcio virava queixa formal, e a pilha de queixas cresceu durante toda a temporada de 1923.

 

Quem banca a edição de hoje

Tackle your credit card debt by paying 0% interest until nearly 2028

If you have outstanding credit card debt, getting a new 0% intro APR credit card could help ease the pressure while you pay down your balances. Our credit card experts identified top credit cards that are perfect for anyone looking to pay down debt and not add to it! Click through to see what all the hype is about.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Depois da Foto

III, O cadeado de fevereiro

Carnarvon não viu o sarcófago aberto. Uma picada de mosquito infeccionada evoluiu para septicemia (infecção do sangue), e ele morreu no Cairo em 5 de abril de 1923, aos 56 anos. A viúva, Almina, herdou a licença da escavação e o contrato com o Times.

Em fevereiro de 1924, dias depois de erguer a tampa do sarcófago, Carter entrou em choque aberto com o governo egípcio. O ministro de Obras Públicas, Morcos Hanna, proibiu que as esposas dos membros da equipe visitassem a tumba. Em 13 de fevereiro, Carter trancou o túmulo em protesto e suspendeu o trabalho.

A licença cancelada

O governo respondeu cancelando a licença e trocando o cadeado. A tampa do sarcófago ficou meses pendurada em roldanas sobre os caixões. Carter só voltou em janeiro de 1925, depois que Almina desistiu de reivindicar parte dos objetos, e o novo acordo tirou do Times o controle das notícias.

O trabalho de esvaziar o túmulo durou até 1932. Carter publicou mais dois volumes do livro, em 1927 e 1933, e morreu em Londres em 1939. Burton seguiu fotografando para o Museu Metropolitano e morreu em Assiut, no Egito, em 1940.

Os negativos de vidro de Burton se dividiram entre dois arquivos: o Griffith Institute, da Universidade de Oxford, que recebeu os papéis de Carter depois da morte dele, e o próprio Museu Metropolitano. A chapa dos santuários circula hoje em domínio público no Wikimedia Commons, e as caixas de negativos de Oxford foram digitalizadas e abertas à consulta de qualquer pesquisador, sem contrato e sem pagamento a jornal nenhum.

O furo que o Times comprou em 1923 durou duas temporadas; as chapas de Burton, sem dono, seguem sendo a imagem que o mundo tem do túmulo.

O que a foto não responde

1O nome do trabalhador egípcio da cena. As legendas guardadas no arquivo não o registram, e nenhuma fonte publicada o identificou depois.
2O dia exato da chapa. O registro do arquivo aponta 3 ou 4 de janeiro de 1924, e os diários da escavação não fixam a hora do clique.
3Quanto o contrato rendeu no total. As revendas foram feitas a dezenas de jornais, e nenhuma conta final publicada fecha o valor.

No chão do Vale dos Reis, os 16 degraus continuam descendo até a porta que Carter trancou em fevereiro de 1924. Lá dentro, na câmara funerária, a múmia de Tutancâmon ficou no túmulo e repousa hoje numa vitrine climatizada, a poucos metros do lugar onde Burton montou a câmera diante das portas douradas.

“Se o The Times não tivesse comprado a escavação, as chapas de Burton teriam chegado primeiro aos jornais do Cairo?”

 
 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆◆◆30

Dia 7 de 7 · a temporada de setembro fecha 30/09

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 
O Ano Escondido: oito camadas, uma por dia: O papel na mão, O verso do retrato, A roupa e o cabelo, O fundo da foto, A sombra e a estação, O dia no jornal, As fotos irmãs da caixa, O nome dentro do quadro. Começar pelo dia 1.

Começar pelo dia 1 →

 
Quiz da edição

Segundo o texto, quanto o The Times pagou a Lord Carnarvon pelo contrato de exclusividade assinado em 9 de janeiro de 1923?

A5.000 libras adiantadas e 75% do lucro das revendas
B10.000 libras adiantadas e metade do lucro das revendas
CSó o direito de publicar primeiro, sem nenhum pagamento
D2.000 libras por mês durante toda a temporada de escavação

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🎞️🎞️🎞️🎞️🎞️  ótima 🎞️🎞️🎞️🎞️  boa 🎞️🎞️🎞️  ok 🎞️🎞️  ruim 🎞️  péssima
 
Escolha a edição de sábado

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai no sábado, 03/10.

Voto aberto até 01/10, 15h30

A Kniefall de Varsóvia →
B Ermanox de Erich Salomon →
C Ficha de Alphonse Bertillon →
D Câmera Rapatronic →
 
 

Quem banca a edição de hoje

1,000+ Claude Prompts Top Professionals Actually Use at Work

Claude can be your analyst, editor, and strategist.

But most professionals are using it to fix grammar.

These 1,000+ Claude prompts take it from grammar tool to your most powerful AI work assistant.

Sign up for Superhuman AI and get:

  • 1,000+ ready-to-use Claude prompts to get real work done in minutes — researched, tested, and used by professionals at Google, Microsoft, and NASA

  • Superhuman AI newsletter (4 min daily) so you keep learning new AI tools and skills to stay ahead in your career — the prompts are just the beginning

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook O Ano Escondido
ebook O Ano Escondido

Pegar meu link de indicação →

 
Amanhã nesta news

ED 055 · amanhã às 19:19

Os 62 Que Saíram do Fogo do Hindenburg

Em maio de 1937, Sam Shere fotografou o dirigível em chamas em Lakehurst, e a imagem esconde que 62 das 97…

 
 
 

Toda foto tem um nome atrás.

Foto Histórica

FOTO HISTÓRICA

A história por trás da foto

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter