A resposta de ontem Que animal recebeu o nome de Shiras em 1914? Foi uma subespécie de alce, o alce de Shiras (Alces alces shirasi), descrita em 1914 pelo zoólogo americano Edward W. Nelson a partir de exemplares da região de Yellowstone. É o menor alce da América do Norte e vive nas Montanhas Rochosas, onde o próprio Shiras também fotografou. |
A foto se chama Chasseur mongol, environs d'Ourga (Caçador mongol, arredores de Urga), feita em 20 de julho de 1913 por Stéphane Passet, fotógrafo francês contratado pelos Arquivos do Planeta, o projeto do banqueiro Albert Kahn.
No Wikimedia Commons, o arquivo aparece em domínio público, com o crédito de Passet e a data exata da tomada. O original pertence ao Museu Albert-Kahn, em Boulogne-Billancourt, na periferia oeste de Paris.
Quem era Passet
Stéphane Passet nasceu em 1875 e tinha servido no Exército francês antes de entrar para a equipe de Kahn, em 1912. Era um dos operadores, nome que o projeto dava aos fotógrafos pagos para viajar com câmera e chapas.
Em pouco mais de um ano, ele passou pela China, pela Mongólia, pela Índia e pelo Marrocos. Na China, fotografou Pequim e as tumbas dos imperadores; na Mongólia, os mosteiros, os mercados e os cavaleiros dos arredores de Urga.
Passet viveu até 1941. Depois de deixar a equipe, sumiu dos registros públicos, e a carreira dele é conhecida quase só pelas chapas que ficaram em Boulogne.
A bagagem de um operador pesava. Cada autocromia era uma placa de vidro do tamanho de um cartão-postal, e Passet levava centenas delas, além da câmera, do tripé e dos produtos de revelação, por estradas de terra e trilhas de cavalo.
Como a cor entrava no vidro
A chapa usada era a autocromia (chapa de vidro colorida, patenteada pelos irmãos Auguste e Louis Lumière em 1903 e vendida a partir de 1907). Sobre o vidro, os Lumière espalhavam grãos microscópicos de fécula de batata tingidos de laranja, verde e violeta.
Cada grão funcionava como um filtro. A luz passava por ele, atingia a emulsão logo abaixo, e a revelação devolvia uma imagem positiva em cor, única, sem negativo para copiar.
O preço da cor era a demora. A chapa pedia uma exposição de vários segundos ao sol, e qualquer movimento virava borrão. Por esse motivo, quase todos os retratos dos Arquivos mostram gente parada, de frente, posando com cuidado.
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A autocromia trocou o instante pela cor: quem posava tinha de esperar a luz entrar no vidro.
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O que a foto mostra
O caçador ocupa o centro da imagem, de corpo inteiro, contra a estepe aberta. O casaco tem cor viva, a faixa da cintura é clara, e o chão em volta tem o tom amarelado do capim no fim do verão.
Os grãos da fécula dão à imagem uma textura de pontilhado, como pintura vista de perto. O nome do caçador não foi anotado na ficha da chapa, e nenhum documento do arquivo identifica quem ele era. Sabe-se o lugar, o dia e o fotógrafo; o homem ficou anônimo.
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