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Na foto de Byron Rollins, Harry S. Truman está de terno escuro na plataforma traseira do Ferdinand Magellan. Segura o Chicago Daily Tribune aberto com as duas mãos, a manchete voltada para a câmera, e ri de boca aberta.
Atrás dele aparecem o corrimão do vagão e parte da multidão que lotava a plataforma. A imagem é horizontal, tirada de baixo para cima, e o jornal ocupa quase o mesmo espaço do rosto do presidente.
A greve na oficina
Desde novembro de 1947, os linotipistas (operadores da linotipo, máquina que fundia em chumbo cada linha de texto) do Tribune estavam em greve. Eles pertenciam à International Typographical Union, o sindicato internacional dos tipógrafos, que parou os grandes jornais de Chicago.
Sem as linotipos, o Tribune improvisou. Os textos eram datilografados em máquinas de escrever, colados em páginas, fotografados e gravados em chapas para a rotativa (a impressora de cilindros). Cada etapa custava tempo.
A linotipo compunha uma coluna em minutos e deixava a chapa pronta para a fundição. A máquina de escrever exigia revisão à mão, recorte, montagem e fotografia de cada página antes de qualquer impressão, um caminho bem mais longo entre a redação e a rotativa.
Por causa do método lento, a primeira edição do dia seguinte à eleição precisou fechar horas antes do habitual, na noite de 2 de novembro. Nessa hora, poucos estados tinham apurado votos suficientes para indicar um vencedor.
A aposta de Henning
A escolha da manchete coube ao editor-chefe J. Loy Maloney. Ele ouviu Arthur Sears Henning, correspondente do Tribune em Washington havia décadas, conhecido por acertar o resultado das eleições presidenciais.
Henning garantiu a vitória de Dewey. Os números parciais do Leste pareciam confirmar, e o próprio jornal apoiava o republicano. Maloney mandou rodar DEWEY DEFEATS TRUMAN em letras de capa inteira.
O texto de Henning, na mesma primeira página, já descrevia Dewey como presidente eleito e comentava a composição do futuro gabinete republicano, sem nenhuma ressalva sobre a contagem ainda aberta.
O jornal já estava na rua
Os primeiros exemplares saíram para as bancas e para os trens enquanto a apuração virava no Meio-Oeste. Quando a redação percebeu o erro, trocou a manchete nas edições seguintes, mas a primeira já circulava em Chicago e fora dela.
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A manchete saiu errada porque a oficina fechava cedo, e a oficina fechava cedo por causa da greve.
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Em St. Louis, Truman leu o jornal em voz alta para a multidão e comentou o erro com uma frase registrada pelos repórteres que viajavam no trem presidencial, em 1948:
“Não foi bem assim que me contaram!”
No original, “That ain't the way I heard it!”. A frase virou legenda informal da foto nos jornais rivais, que publicaram a imagem da AP e a da Acme nos dias seguintes.
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