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O método ganhou o apelido de bertillonnage (bertilonagem, o sistema de Bertillon) e saiu de Paris depressa. Em 1887, a penitenciária de Joliet, em Illinois, adotou as medidas por iniciativa do diretor Robert McClaughry, e polícias da Europa e da América copiaram o cartão nos anos seguintes.
O ritual do medidor
Cada detido passava pela mesma sequência, na mesma ordem:
1. Sem casaco e sem sapatos, ficava de pé contra uma escala de parede, para a estatura.
2. Com os braços abertos, media a envergadura; sentado num banco, o busto.
3. Um compasso de pontas curvas tomava o comprimento e a largura da cabeça.
4. Um compasso menor media orelha, pé, dedos e antebraço.
5. Por último, a cadeira de pose e os dois retratos.
Com as medidas, o arquivo deixava de ser alfabético. As fichas eram divididas em pequena, média e grande para cada medida, em sequência, e o funcionário descia gaveta por gaveta até sobrarem poucas dezenas de cartões para conferir pela foto.
O retrato falado
Para o agente de rua, Bertillon criou o portrait parlé (retrato falado), um vocabulário fixo para descrever testa, nariz e orelha pela inclinação, pela altura e pela saliência. O policial decorava os termos e procurava o fugitivo na multidão pela descrição, sem carregar foto no bolso.
Uma frase atribuída a Bertillon nos cursos do retrato falado resume a aposta:
“O olho só vê aquilo para onde olha, e só olha para o que já está na mente.”
A frase justificava o treino. Sem vocabulário, o agente via um rosto qualquer; com ele, via um nariz de dorso côncavo e uma orelha de lóbulo colado.
A cena vista de cima
Bertillon levou a mesma disciplina ao local do crime. Montou a câmera num tripé alto, com a lente voltada para baixo, a cerca de dois metros do chão, e fotografava o corpo e o cômodo de cima, sempre da mesma altura.
A cópia saía colada num cartão com escalas impressas nas margens. Com elas, o perito tirava da foto, meses depois, a distância entre a porta e a cama ou o comprimento de uma mancha no assoalho.
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A câmera a dois metros, apontada para baixo, transformava o chão da cena numa planta medida.
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O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, guarda um álbum de cenas de crime de Paris atribuído a ele, feito entre 1901 e 1908, com essas margens graduadas em cada folha.
Em 1892, o anarquista François Koenigstein, conhecido como Ravachol, foi preso depois de atentados a bomba em Paris. As medidas do serviço confirmaram a identidade dele contra uma ficha anterior, e os jornais fizeram de Bertillon uma celebridade.
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