In partnership with

Foto Histórica   Foto Histórica
ED 048
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A Cidade Vista pela Águia

Num balão sobre Boston, em 1860, James Wallace Black fez a fotografia aérea mais antiga que chegou até nós

Vista aérea do centro de Boston em 1860, com telhados, chaminés, a torre da Old South Meeting House e mastros no porto.

Boston vista do balão, J. W. Black, 1860

▼
 

A 630 metros acima do Boston Common, num cesto de vime preso a um balão de gás, cabia um homem, uma câmera de fole e uma caixa de vidros. Lá embaixo, os telhados do centro de Boston formavam um tabuleiro cinzento cortado por ruas tortas, com torres de igreja espetadas no meio e o porto cheio de mastros na borda leste.

A subida aconteceu em outubro de 1860, no dia 13. O balão se chamava Queen of the Air (Rainha do Ar) e pertencia a Samuel Archer King, aeronauta de Filadélfia que ganhava a vida com ascensões pagas em feiras e festas cívicas. Ao lado dele, no cesto, estava James Wallace Black, fotógrafo de estúdio da cidade, então com 35 anos.

Black não subiu a passeio. Queria provar que uma câmera funcionava longe do chão, com o vento balançando o cesto e sem mesa firme para apoiar o equipamento. A técnica disponível em 1860 tornava a tarefa quase absurda: cada chapa de vidro precisava ser coberta de química, exposta e revelada enquanto continuava molhada, num intervalo de poucos minutos.

Ele fez oito exposições naquela tarde. Só uma saiu nítida o bastante para ser impressa e circular. É ela que hoje abre esta edição: um recorte do centro comercial de Boston visto de cima, com a Old South Meeting House, a igreja onde os colonos discutiram o chá em 1773, bem visível no quadro.

Havia um concorrente. Dois anos antes, em Paris, o fotógrafo Gaspard-Félix Tournachon, conhecido pelo apelido Nadar, tinha subido num balão cativo (preso ao chão por corda) e registrado a aldeia de Petit-Bicêtre. Aquelas chapas se perderam. A de Black ficou, e é por ela que a história da fotografia aérea começa a ter imagem para mostrar.

A primeira seção olha a chapa de perto: o que aparece nela, como foi feita dentro do cesto e por que um fotógrafo de retrato topou o risco.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Foto Histórica do Dia

Oito vidros no cesto

A imagem se chama Boston, as the Eagle and the Wild Goose See It (Boston, como a águia e o ganso selvagem a veem). O título veio depois, de um leitor famoso, e ficou colado à chapa. Cópias da impressão original estão no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e na Boston Public Library, e a digitalização circula no Wikimedia Commons como obra em domínio público.

O quadro é pequeno e quase quadrado. Mostra um trecho do centro visto em diagonal, com prédios de tijolo de quatro e cinco andares, telhados de duas águas, chaminés em fileira e ruas estreitas que se cruzam sem ordem de grade. A Old South Meeting House aparece com a torre branca. Perto dela correm a Washington Street e a Milk Street, e ao fundo se enxergam os armazéns e os mastros do porto.

O laboratório pendurado

O processo que Black usava se chamava colódio úmido, uma emulsão feita de algodão-pólvora dissolvido em éter e álcool, espalhada sobre o vidro e sensibilizada num banho de nitrato de prata. A chapa só respondia à luz enquanto estava molhada. Secou, perdeu.

Na prática, o fotógrafo precisava carregar o laboratório inteiro para o cesto. Black cobria o vidro, mergulhava no banho, encaixava na câmera, abria a lente, fechava, e revelava ali mesmo, com as mãos manchadas e o cesto girando ao sabor do vento. O gás que escapava do balão, segundo o relato que o próprio fotógrafo fez depois, reagia com os produtos e estragava parte das chapas.

Das oito exposições da tarde, sete falharam por movimento, por gás ou por secagem; a única que deu certo guardou a primeira vista aérea de uma cidade que ainda existe em papel.

A escolha do Boston Common como ponto de subida também pesou. O parque ficava a poucos quarteirões do centro comercial, o que permitia ao balão, subindo quase na vertical, enquadrar a parte mais densa da cidade. Uma decolagem em campo aberto, longe dos prédios, teria mostrado pasto e água.

Por que um retratista toparia o risco? Black era sócio de John Adams Whipple, um dos estúdios mais técnicos de Boston, conhecido por fotografar a Lua através do telescópio de Harvard. O estúdio vivia de experimentar. Subir num balão com colódio úmido era a mesma aposta levada ao ar: mostrar que a técnica aguentava condições que ninguém tinha testado.

 
 

II  O Que Ela Mudou de Verdade

O olho de cima

A chapa de Black ganhou o título e a fama pela mão de Oliver Wendell Holmes, médico, poeta e colecionador de fotografias em Boston. Em 1863, num ensaio para a revista The Atlantic Monthly, Holmes descreveu a imagem e deu a ela o apelido que ficou.

Boston, como a águia e o ganso selvagem a veem, é um objeto muito diferente do mesmo lugar visto pelo cidadão sólido que olha para os beirais e as chaminés.

Oliver Wendell Holmes, Doings of the Sunbeam, The Atlantic Monthly, 1863

A frase de Holmes aponta a mudança real. Até 1860, a vista de cima de uma cidade existia só como desenho. Gravuras em perspectiva aérea, feitas por artistas que imaginavam o ângulo a partir de mapas e de passeios pelas ruas, vendiam bem nos Estados Unidos, mas corrigiam, limpavam e embelezavam o que viam.

Do desenho à prova

A fotografia de Black trocou a vista imaginada pela vista registrada. O telhado torto continuava torto, a chaminé fora de prumo aparecia fora de prumo, e o beco que nenhum gravador desenharia ficava no quadro. Pela primeira vez, a forma de um bairro podia ser conferida por quem não estivera no alto.

A fotografia aérea não inventou o olhar de cima; ela tirou do artista o direito de corrigir a cidade antes de mostrá-la.

O uso prático veio rápido, mas por outro caminho. Em 1861, com a Guerra Civil americana em curso, Thaddeus Lowe montou para a União um corpo de balões de observação. Os oficiais subiam para desenhar posições inimigas e mandar recados por telégrafo. A fotografia ficou de fora, porque o colódio úmido continuava lento e frágil demais para o campo de batalha.

O gargalo técnico durou duas décadas. Só com a chapa seca de gelatina (emulsão que podia ser preparada antes e revelada depois), vendida em escala nos anos 1880, fotografar do alto deixou de exigir laboratório no cesto. Aí os experimentos se multiplicaram: o francês Arthur Batut prendeu câmeras em pipas em 1888, e o farmacêutico alemão Julius Neubronner pediu patente em 1907 para uma câmera leve presa ao peito de pombos.

O salto definitivo veio com o avião na Primeira Guerra Mundial, quando o reconhecimento fotográfico passou a mapear trincheiras todos os dias. Os mapas de cadastro, o planejamento urbano e, muito depois, as imagens de satélite herdaram o princípio da chapa de 1860: a cidade confere com a foto, e não com o desenho de quem a imaginou.

 

Quem banca a edição de hoje

NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

And he's pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: Farming. It’s an industry facing mounting pressure to produce more with less and it’s still massively under-automated. 

DIT AgTech brings AI, nutrition automation, and real-time data to livestock production, helping ranchers boost productivity and get more from every animal. 

And it’s already proven in one of the world's toughest livestock environments: 

  • 500+ units deployed 

  • 370,000 head of livestock on the platform 

  • Up to 55% higher daily weight gain 

Now expanding into the U.S. and Brazil, DIT AgTech is targeting a 300M+ head cattle market. And the biggest barrier to adoption? Gone. Ranchers get the technology for free when they sign up for a three-year nutrition plan. 

DIT AgTech can scale adoption faster, which means more data and more recurring revenue. 

Invest before this early-stage opportunity gets harder to access.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​  ​

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Depois da Foto

O que sobrou em papel

James Wallace Black continuou fotógrafo em Boston depois do balão. Nos anos seguintes, deixou a sociedade com Whipple, abriu estúdio próprio e se tornou um dos nomes fortes da lanterna mágica, o projetor de imagens em vidro que era o espetáculo de conferência do século XIX.

Em novembro de 1872, um incêndio destruiu cerca de 65 acres (26 hectares) do centro de Boston, segundo o relatório da comissão municipal de inquérito, publicado em 1873. Black fotografou as ruínas quarteirão por quarteirão, e as vistas foram vendidas como lâminas de lanterna. Boa parte da área que aparecia na chapa aérea de 1860 estava entre os prédios queimados.

A Old South Meeting House escapou por pouco. Bombeiros e voluntários conseguiram segurar o fogo nas paredes da igreja, que continua de pé na esquina da Washington com a Milk. É o marco que liga a chapa de 1860 à Boston de hoje: quem compara as duas imagens acha a torre no mesmo lugar e quase nada em volta igual.

Perguntas que a chapa deixa

1Onde estão os negativos de vidro. Não se localizou nenhum negativo original da subida. O que existe são impressões em papel albuminado (papel coberto de clara de ovo com sais de prata) feitas na época, e as coleções não registram quando o vidro se perdeu.
2Onde o balão pousou. Os relatos da época falam da subida e da chapa, e as fontes disponíveis não trazem com precisão o ponto de descida daquela tarde.
3O que Nadar conseguiu em 1858. O francês descreveu a experiência nas memórias, publicadas em 1900 com o título Quand j'étais photographe (Quando eu era fotógrafo), mas nenhuma cópia das chapas de Petit-Bicêtre foi encontrada, e o conteúdo exato delas depende só do texto dele.

Black morreu em 1896, em Cohasset, cidade litorânea ao sul de Boston. A fama dele hoje repousa menos nos retratos de estúdio e mais nas duas séries que registraram a cidade em situações extremas: vista do céu em 1860 e reduzida a cinza em 1872.

Das duas primeiras tentativas de fotografar uma cidade do alto, a que sobreviveu foi a americana, e por ela Boston tem a vista aérea mais antiga preservada de qualquer cidade do mundo.

A chapa segue guardada no Metropolitan Museum of Art, com o título que Holmes lhe deu, e a torre branca da Old South continua no centro do quadro e no centro de Boston. Os 630 metros de altura, o cesto de vime e os oito vidros cabem hoje num retângulo de papel amarelado menor que uma folha de caderno.

“Se as chapas de Nadar tivessem sobrevivido, a história da foto aérea começaria em Paris ou continuaria sendo contada a partir de Boston?”

 
 

Ebook + app · Foto Histórica

Capa do ebook

o ebook

ensina

+
O app no celular

o app

treina

O Ano Escondido, no ebook e no app.

📖O ebook ensina: A Datação por Camadas que descobre o ano, o lugar e o nome na foto de família que ninguém soube explicar.
📱O app treina: 1 camada por dia no celular, marcado e anotado. Atrasou, o plano espera.
 
Quero o ebook + app →
 
Quiz da edição

Black fez oito exposições no balão sobre Boston. Quantas saíram nítidas o bastante para serem impressas e circular?

ADuas
BQuatro
CUma
DSeis

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🎞️🎞️🎞️🎞️🎞️  ótima 🎞️🎞️🎞️🎞️  boa 🎞️🎞️🎞️  ok 🎞️🎞️  ruim 🎞️  péssima
 
Escolha a próxima edição

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A pauta vencedora vira uma próxima edição.

Voto aberto até 25/09, 15h30

A Brunel diante das Correntes →
B Geronimo em Embudos →
C Prisioneiros de Canudos →
D Emir de Bukhara →

100% escolheram Os Negativos Furados na ed 032

 
 

Quem banca a edição de hoje

Is Your Training Data Actually Model-Ready?

DNSMOS gives you a score, not whether that data fits your model. Treat it as pass/fail and you'll train on audio that looks clean but hurts performance, while tossing good data for no reason. Voices' CTO DJ Jalali just published a white paper with the four-step framework the team uses to set internal thresholds instead.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook O Ano Escondido
ebook O Ano Escondido

Pegar meu link de indicação →

 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Amanhã nesta news

ED 049 · amanhã às 19:19

O Homem Diante das Correntes

Em Millwall, em 1857, Robert Howlett fotografou Brunel diante das correntes do navio que se recusava a descer…

 
 
 

Toda foto tem um nome atrás.

Foto Histórica

FOTO HISTÓRICA

A história por trás da foto

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter