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A foto do dia é a Caaba fotografada por Muhammad Sadiq Bey em Meca, em 1880. O cubo ocupa o centro do quadro, coberto pela kiswa escura, com uma faixa de inscrições bordadas cortando o pano no terço de cima.
Em volta da base, os peregrinos fazem o tawaf, as sete voltas rituais em torno da Caaba. Como andavam enquanto a chapa recebia luz, muitos saem como borrões, e só quem parou aparece com contorno nítido.
No alto da parede, a calha que escoa a água do telhado, chamada mizab, aparece com clareza. Atrás do cubo correm as arcadas da mesquita, sobe um minarete e se amontoam casas de vários andares, morro acima, até a pequena mesquita de Bilal, no topo.
A cópia é uma impressão em albumina colada em cartão, com 16,5 por 21,5 centímetros de imagem, segundo o catálogo da Coleção Khalili. No canto de baixo, à direita, aparecem a assinatura em árabe e o ano 1297 do calendário islâmico, o mesmo 1880 do calendário cristão.
Embaixo da imagem, alguém anotou à mão, em árabe e em francês, o nome de cada canto do cubo e uma legenda curta: “La Kaaba couverte du tapis égyptien”, a Caaba coberta pelo tapete egípcio.
O tesoureiro com câmera
Nascido no Cairo, o fotógrafo estudou na escola militar da cidade e na École Polytechnique, em Paris, e entrou no exército egípcio como engenheiro. As fontes divergem sobre o ano em que ele nasceu, 1822 ou 1832.
Chegou a coronel e voltou à escola militar para ensinar desenho cartográfico, a técnica de passar o terreno medido para o papel. O título de bey, honraria concedida pelo governo, veio nos anos 1870.
Em 1880, foi nomeado tesoureiro da caravana oficial da peregrinação. Respondia pelo dinheiro e pela chegada do mahmal a Meca, e levou a câmera por conta própria, como já tinha feito antes.
Do alto dos muros
Para as vistas largas, Sadiq Bey subia nos muros e nos telhados em volta da mesquita. De lá montou panoramas, emendando chapas vizinhas para mostrar num quadro só o pátio, a Caaba e a cidade em volta.
Fotografou também a porta de Safa e os acampamentos de peregrinos em Mina e na planície de Arafat, a cerca de 20 quilômetros do centro. Fez ainda retratos dos homens que guardavam os santuários, como o xeique Umar al-Shaibi, guardião da chave da Caaba.
Ao xeique, mandou as cópias acompanhadas de um poema. Num dos versos, perguntava se os fotógrafos estavam destinados a queimar no fogo, uma dúvida comum entre religiosos da época sobre fazer imagens.
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O pano do cubo vinha do Cairo, pela mesma rota da caravana do fotógrafo.
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