A resposta de ontem Quem refez as fotos do Sudário em 1931? Foi o fotógrafo profissional Giuseppe Enrie, de Turim, na exposição do Sudário de maio de 1931. Com chapas ortocromáticas e luz controlada, ele fotografou o pano inteiro e o rosto de perto, e os negativos mostraram o mesmo retrato em positivo que Pia tinha visto em 1898. |
A foto do topo mostra uma bomba da série Tumbler-Snapper menos de um milésimo de segundo depois da detonação. A bola de fogo ainda tem cerca de 20 metros de diâmetro e a superfície manchada, como casca de laranja vista de perto.
A torre já não existe na imagem. O aço virou gás dentro da esfera. Embaixo dela, porém, descem vários espinhos claros, retos, em ângulos diferentes, como se a bola de fogo tivesse pernas.
Os espinhos são os cabos
Cada ponta corresponde a um dos cabos de ancoragem (os estais, cabos de aço que seguravam a torre de pé). O primeiro clarão da explosão, rico em raios X e luz, atinge o cabo antes da onda de choque.
O aço absorve a radiação, esquenta e vaporiza ao longo do comprimento. O gás quente se expande rente ao cabo e corre à frente da bola de fogo, desenhando uma linha brilhante que a câmera congela.
O físico John Malik, do Laboratório Nacional de Los Alamos, estudou o efeito e o batizou de rope trick (truque da corda), em referência ao número de mágica indiano em que uma corda sobe sozinha no ar.
Como a câmera fechava tão rápido
A rapatronic tinha dois filtros polarizadores (vidros que só deixam passar luz vibrando numa direção) cruzados, um atrás do outro. Assim montados, eles bloqueavam toda a luz.
Entre os dois ficava uma célula de Faraday, um bloco de vidro dentro de uma bobina. Quando um pulso elétrico passava pela bobina, o campo magnético girava a luz o suficiente para atravessar o segundo filtro. Acabado o pulso, a câmera ficava cega de novo.
Uma câmera, uma foto
Como cada aparelho fazia um único quadro, a EG&G montava baterias de quatro a dez câmeras, cada uma programada para disparar num instante diferente. Juntas, as fotos formavam uma sequência do crescimento da bola de fogo.
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A foto não mostra uma explosão parada: mostra o calor andando pelo aço mais rápido que o fogo.
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Anos antes, o primeiro teste atômico rendeu a frase mais conhecida sobre a bomba. J. Robert Oppenheimer, diretor do laboratório de Los Alamos, lembrou o primeiro teste, em 1945, no documentário The Decision to Drop the Bomb, da rede NBC, em 1965:
“Lembrei do verso da escritura hindu, o Bhagavad Gita: agora me tornei a Morte, a destruidora de mundos.”
Oppenheimer viu a bola de fogo de Trinity sem forma, um clarão a 16 quilômetros. A rapatronic deu ao mesmo fenômeno contorno, textura e as pernas de aço.
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